quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Em que espelho ficou perdido meu lirismo?


Ele: e você, parou de escrever porquê?
Ela: passei a ver a vida com menos lirismo =p
escrevo/falo/faço o que sinto...
se eu não sinto.. não faço
Ele: entendo
Ela: e né que por um momento... vi lirismo nessa minha frase acima =)
Ele: e não foi a única



sábado, 21 de janeiro de 2012

Dizia amá-la tanto... que quase a mata

Antes amar quem só o mal me deseja a quem, fingindo o bem, só o mal me enseja.

William Shakespeare

sábado, 14 de janeiro de 2012

I found love in a hopeless place

It’s like you’re screaming,... and no one can hear.

You almost feel ashamed
that someone could be that important,

that without them you feel like nothing.

No one will ever understand how much it hurts.

You feel hopeless, like nothing can save you.
And when it’s over and it’s gone,...
you almost wish you could have all the bad stuff back,

so

you can have the good.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Would it make you feel better to watch me while I bleed?

Skies are crying
I am watching
Catching teardrops in my hands
Only silence as it's ending, like we never had a chance
Do you have to make me feel like there is nothing left of me?
You took everything I had
You broke everything I was
As if I were made ​​of glass
As if I were made of paper

Go run, run, run
I'm gonna stay right here
Watch you disappear
Go run, run, run

Go run, run, run
that's the only thing you know how to do
coward

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Domingues

(Desenho: Artur Domingues)

Soneto

Tordilhos, alazãos, cavalos baios

neste campo de mar nos são de espanto,

que é rosa a rosa, canto apenas canto,

e os cavalos são rendas, contemplai-os.

Jazem despertos, lúcidos lacaios

de vestes vagas cuidam no entretanto

do seu possível sono a bem de manto

para que os não de ventos e de raios.

Há cavalos vermelhos, mas não esses

porquanto quase azuis. Se os conhecesses

não teria o meu reino e os meus cavalos.

Que ao fim seriam teus, que és feita em bruma,

esses que são de mim corcéis de espuma

de quem só sabe azul no contemplá-los


(Edmir Domingues)

Poema para Velhos

Onde se fala da emoção imperdoável

— e vergonhosa —

das lembranças do País chamado Infância

Nas comarcas de Infância havia vida.
O que fiz dessa vida? Que sei eu?
Onde estão os anseios desse tempo?
Pois havia, no então, as borboletas
de asas azuis, que agora já não vejo,
as quais eu perseguia, sob as sombras
das bananeiras e dos laranjais.
Que fazer, neste instante, para vê-las
em viagem de volta aos tempos idos?

É muito tarde, Amor, é muito tarde.

Cantava o sabia sobre as palmeiras
que os ventos marinheiros balançavam
como as brisas beijavam as bandeiras.
Como tornar atrás, sem instrumentos,
sem mapas nem roteiros, destruídos
no fragor dos combates os sextantes?

É muito tarde, Amor, é muito tarde.

Os perfumes de Infância, nos cabelos
da bem-amada, onde estarão nesta hora?
As pipas coloridas, os campinhos
de várzea, num País de Juventude?
Tudo isso acabou. Toda a pureza
morreu, estraçalhada pelas Máquinas.
As crianças de agora se realizam
na frieza dos seus computadores,
curtindo os seus Heróis da Violência,
com sangue, sangue. E cada vez mais sangue.

Não pisaram, jamais, terras de Infância.
já não creem no Lobo, na Avozinha
do Chapeuzinho, a Casa da Floresta
construída de puro chocolate.
Papai Noel existe, com certeza,
para aqueles que sempre creram nele.
A Pequena Sereia, Os Três Porquinhos,
sandálias de cristal da Cinderela,
e João, Maria, os Ovos de Ouro, tudo,
mesmo o Patinho Feio que era um cisne,
já não são coisas da imaginação.

São tevês, são cinema, sem o apelo
das histórias de Infância.

(Capineiro do meu Pai, por que me cortas o cabelo?

Minha mãe me penteou, minha Madrasta me enterrou,

pelo figo da figueira que o pássaro picou... )

É muito tarde, Amor, é muito tarde.

Como as, outras histórias, sob a Lua
e sob os copiares, Lobisomens
e Mulas sem Cabeça, e Curupiras
com seus pés para trás, como antevendo
o para trás que cresce em tudo, agora.
E Anhangá, e a Alamoa, e o Negrinho
do Pastoreio entregue ao formigueiro.
Tudo morreu, nas garras do Progresso,
que é um bem, que é um mal inevitável.

A leitura está morta. Os livros todos
deverão ser lançados às fogueiras.

— Menos os bestasséleres que vendem como vende o pão-quente em padaria.

Resta agora a pergunta: como então
apertar mãos de Acab e de Simbad,
encontrar Aladim, seu servo, o Gênio,
escutar Sherazade, noite a noite?
Tudo acabou, e os sons da vida nova
são pios de Corujas, retalhando
as mortalhas do tempo, do meu Tempo.
Habita agora o Corvo no meu quarto.
Nunca mais voltarei a Infância, a antiga
pátria dos sonhos bons, das esperanças.

É muito tarde, Amor, é muito tarde.









Edmir Domingues

(Recife, 8 de junho de 1927 — 1 de abril de 2001)

"Toma-me pelo instrumento que melhor te agrade e por muito que me dedilhes, posso garantir-te que não conseguirás arrancar qualquer som de mim."

(Trecho da obra "Hamlet" de William Shakespeare, retirada do texto integral)

Coisas inúteis

‎"...Na vida ha certas coisas
Que possuímos,


inúteis,


Que jamais usaremos,




Mas que nos dão prazer



Ou certa segurança




No apenas possuí-las..."

Edmir Domingues
(Recife, 8 de junho de 1927 — 1 de abril de 2001)